Quais os impactos do dólar na indústria brasileira?

Quais os impactos do dólar na indústria brasileira?

As implicações da alta do dólar na economia brasileira é matéria do momento em todos os canais e sites, com a cotação da moeda americana batendo recordes extraordinários de valorização.

Existem diversos fatores que explicam esse evento, fatores internacionais mas também nacionais, e o ideal é que você comece a se atentar a esse cenário. Pois, o valor atual do dólar abala diretamente as pessoas e os negócios do País – seja para melhor ou para pior – e impacta a economia do Brasil hoje.

Foi por este motivo que reunimos e compartilharemos tudo o que você precisa saber sobre os efeitos da alta do dólar na economia e na sua vida. Continue conosco para entender para que caminho estamos indo.

Atenção ao aumento do dólar na economia brasileira

Antes de começarmos a falar sobre os efeitos da alta do dólar na nossa economia, é de suma importância compreender o motivo de as oscilações da moeda norte-americana nos afetarem dessa maneira.

Basicamente, o que define em quanto fica o valor do dólar ou o valor de qualquer outra moeda é a lei da oferta e demanda que acontece durante as negociações 

Logo, se a procura pelo dólar no mercado é maior (alta demanda), o valor da moeda cresce, em contrapartida, se a procura for menor (baixa demanda), o valor diminui. E essa é a simples interpretação da cotação do dólar, ou seja, porque ele tem tantas variações na mesma semana.

Quais os impactos do dólar na indústria brasileira?
Desde o século 20 o dólar é a moeda mais influente do mercado, ou seja, é a moeda referência do mundo e prevalece nas negociações globais.

Para países emergentes como o Brasil, é muito significativo o controle da variação do dólar, evitando assim, que o real seja muito desvalorizado prevenindo problemas como paralisação do mercado e subida da inflação.

Para isso, o Banco Central atua constantemente contra a variabilidade exagerada da moeda americana, por meio de medidas como a venda das reservas nacionais.

Porém, em situações de fragilidade na economia, a alta procura pelo dólar é um dos primeiros problemas, pois há um um aumento de risco para o Brasil: o grau de confiabilidade do país para investidores estrangeiros.

Diante de um cenário de desequilíbrio ou incertezas, ocorre aquilo que é conhecido como: fuga de capitais. Ou seja, os investidores jogam seus dólares de um país para outro com aplicações mais seguras – o resultado disso é a escassez da moeda americana e consequentemente aumentos absurdos.

Então o dólar é o mesmo que uma âncora de câmbio para os investidores mundiais — por isso sua influência decisiva sobre países emergentes.

Qual a origem do efeito da alta do dólar na economia do Brasil hoje?

O efeito da alta do dólar está em seu momento mais crítico desde o Plano Real.

O progresso da moeda americana já acumulava alta de 9,52% em fevereiro de 2020, alcançando um nível recorde de R$ 4,79 no dia 09 de março, conforme anunciado pelo Estadão.

Essa crescente do dólar aconteceu por vários motivos, e a divisão destes pode ser feita em aspectos nacionais e internacionais.

Aspectos em âmbito global:

  • Impacto do coronavírus na economia mundial;
  • Guerra comercial intermitente entre EUA e China;
  • Fortalecimento da economia norte-americana;
  • Instabilidade política na América Latina;
  • Insegurança mundial de uma possível recessão;
  • Queda dos preços das commodities.

 Mínima histórica dos juros no Brasil (taxa Selic em 2% em agosto de 2020);

Instabilidade econômica após a crise de 2014 e com a pandemia do novo coronavírus;

Baixo crescimento;

Mudanças políticas

5 sinais da alta do dólar no Brasil

Veja os 5 principais indícios da taxa de câmbio alta.

1. Encarecimento das viagens ao exterior

O primeiro efeito foi o aumento do preço das viagens para o exterior.

Isso porque o câmbio atinge diretamente as despesas em dólar, influencia no valor das passagens e combustíveis, ou seja, a primeira a ser afetada é a indústria do turismo.

Quais os impactos do dólar na indústria brasileira?

Para quem ainda assim vai fazer viagens internacionais, é melhor preparar o bolso.

2. Repasse de variação cambial

O fator mais preocupante da alta do dólar é o chamado “pass-through cambial”, que é o mesmo que repasse da variação cambial para os preços e para a inflação.

Quanto mais o dólar aumenta, maior os gastos no bolso do consumidor.

Por exemplo, o presidente da General Motors da América do Sul, Carlos Zarlenga, afirmou que 40% das peças de seu principal carro (Chevrolet Onix) são importadas — ou seja, são peças cujo pagamento é feito em dólar.

Segundo noticiado pelo Estadão em fevereiro de 2020, a diferença de preço logo logo será vista pelos compradores.

O mesmo acontece com o setor farmacêutico, já que mais de 95% de seus insumos são importados e já está se preparando para repassar os aumentos.

Além disso, o barril de petróleo é negociado em dólar, e a depreciação do real em relação ao dólar certamente encarecerá os combustíveis.

3. Reajuste de produtos nacionais

As adequações de valores causados pela alta do dólar também atingem os produtos daqui mesmo, do Brasil.

A causa é simples, os produtores do Brasil preferem mandar produtos para fora para aproveitar a moeda mais cara.  Em contrapartida, os que vendem em seu próprio país aumentam suas margens de lucro para compensar o encarecimento dos produtos importados.

4. Mais competitividade nas exportações

Um ponto positivo da alta do dólar na economia brasileira, é o aumento da competitividade das exportações.

Na área alimentícia, por exemplo, 95% da produção do suco de laranja é destinada para fora do Brasil, de acordo com dados divulgados pela CitrusBR na CB Economia. Significa que, as empresas que exportam, lucram mais com a alta do dólar, como afirmou o ministro da Economia, Paulo Guedes.

Por outro lado, muitas indústrias têm seus investimentos, custos  e até mesmo insumos pagos em dólar. Então, o efeito pode não ser o esperado em relação aos lucros, pois, a alta da moeda americana impacta diretamente na matéria prima utilizada, manutenções, maquinários e etc.

5. Efeitos no crescimento econômico

Em resumo, a demora de crescimento do setor econômico é um efeito colateral da alta do dólar na economia brasileira.

Porém, o diretor de política econômica do Banco Central, Fábio Kanczuk, afirma que a supervalorização do dólar não é uma ameaça para o crescimento econômico do Brasil, como muitos receiam.

O nível de reservas internacionais do Brasil está ótimo (acima de R$ 350 bilhões) e o crescimento vagaroso se deve apenas à mudança operacional em curso (do setor público para o setor privado).

Como o dólar influencia a economia do Brasil e mexe no seu bolso?

Como mostramos, os efeitos colaterais do alto valor do dólar atinge nossa economia de várias maneiras e podem ter diferentes desdobramentos. Mas, a pergunta final é: o que isso impacta na sua vida?

Bom, aí depende a qual grupo você pertence, pois alguns são beneficiados enquanto outros são prejudicados no cenário atual.

Sendo você linha de frente de uma empresa exportadora de produtos, é claro que a tendência é aumentar seus ganhos e competitividade no mercado internacional. Assim como algumas empresas focadas no mercado nacional podem aumentar seus lucros por se depararem com menos competição de produtos importados.

Se você tiver qualquer envolvimento com o turismo, bom também: as viagens internacionais tendem a ficar mais caras, porém o turismo nacional ganha combustível.

Se o seu grupo é daqueles que dependem de insumos e matérias-primas importadas, a situação pode complicar. Bem como as empresas que negociam em dólar e pessoas que têm muitas despesas internacionais.

Como consumidor, decisivamente, você verá a diferença nos preços e perderá, em partes, o poder de compra. Há quem afirme que esse é um custo muito relevante para manter a estabilidade do País e caminhar rumo a um futuro mais oportuno.

Para o ministro Paulo Guedes, por exemplo, o aumento do dólar aponta que o Brasil está flutuando para um novo modelo, que atiça a recuperação da indústria. Isto foi dito por ele à revista Veja, em fevereiro de 2020, e garantiu que a combinação de juros baixos e contenção de gastos públicos farão com que o Brasil avance.

Do ponto de vista do governo, a perspectiva é que o aumento do dólar seja mantido mas não afetará fatalmente o progresso da economia — pelo contrário, colaborará com o avanço.

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